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miércoles, 15 de abril de 2009

"Passando dos Cinqüenta" (Marina Colasanti)



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- Fotografía: Dorothea Lange -
(1895- 1965, Estados Unidos)

("Madre migrante de 32 años,
con tres de sus 7 hijos,
en Nipono, California, 1936")


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"Mi cuello se arruga.
Imagino que será
de mover la cabeza
para observar la vida.
Y se arrugan las manos
cansadas de sus gestos.
Y los párpados
apretados al sol
Sólo de la boca no sé
el sentido de las arrugas
si son de tanto reír
o de tanto apretar los dientes
sobre calladas cosas".

("Pasando los cincuenta")



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"Passando dos Cinqüenta"

(Marina Colasanti)



"Meu pescoço se enruga.

Mi cuello se arruga
Imagino que seja

Imagino que

de mover a cabeça

para mover la cabeza

para observar a vida.

para observar la vida



E se enrugam as mãos

Y se arrugan sus manos

cansadas dos seus gestos.

cansadas de sus gestos



E as pálpebras

Y los párpados apretados


apertadas no sol.

apretados al sol



Só da boca não sei

Sólo la boca no sabe

o sentido das rugas

el sentido de las arrugas

se dos sorrisos tantos

son muchas las sonrisas

ou de trancar os dentes

o el bloqueo de los dientes

sobre caladas coisas.

sobre el silencio de las cosas".







Sobre la autora:




:::: Marina Colasanti (1937), poeta, ensayista y autora de literatura infantil brasileña. Nacida en Asmara, Eritrea, se trasladó a Brasil a mediados de la década de 1940. Publicó crónicas en periódicos y revistas de Río de Janeiro, en las que abordaba como tema principal la situación social de la mujer. En 1994 declaró en una entrevista: 'Sólo concibo mi lenguaje como un lenguaje de mujer'. Entre sus publicaciones destacan los textos para niños Uma idéia toda azul (1979) y Ana Z. aonde vai você? (1993); el libro de impresiones de viaje Agosto 1991: estávamos en Moscou (junto con Affonso Romano de Sant'Anna, 1991) y el ensayo Rota de colisão (1993). Destaca también en su faceta de traductora. En 1988 se publicó en Madrid el libro El laberinto del viento (traducción de Mario Merlino), en el que las hadas, como protagonistas, adquieren una dimensión poética mayor y, al mismo tiempo, más ligada a la sensibilidad contemporánea.


domingo, 22 de febrero de 2009

"A UMA MULHER"



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PHOTO: Hedi Slimane
www.hedislimane.com/

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"A Uma Mulher"
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes


Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.


viernes, 20 de febrero de 2009

"A BRUSCA POESIA DA MULHER"


Photographer: Ellen von Unwerth

Model: Adriana Lima




"A Brusca Poesia Da Mulher"

Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a
bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco
quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!